Autor do proposta da reforma no julgamento da disputa folclórica entre Garantido e Caprichoso, o prefeito de Parintins, Mateus Assayag, acredita que os bumbás encontrarão viés de entendimento sobre o assunto.
As discussões sobre as mudanças no modelo de julgamento se acentuaram no ano passado. O estopim foi a atitude do presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, de abandonar a apuração do festival que deu vitória ao Garantido.
Mas as tratativas só começaram em janeiro. Foram duas reuniões, sem acordo. As discussões chegaram a Manaus. Na quarta-feira, 22, os bumbás tiveram novos embates, desta vez com o Garantido rechaçando aceitar as mudanças.
O estilo Renato Júnior de ser prefeito
Nesta sexta-feira, dia 24, os bois voltam a se encontrar na capital. O prefeito expõe as razões pelas quais crê num entendimento. No entanto, ele evita tocar no mérito da discussão.
“O Festival de Parintins é fundamental para a nossa cidade e para a nossa gente. Ele move a economia, ele gera emprego, gera renda nos 12 meses do ano. Nós temos que ter a compreensão realmente da importância do festival, da importância de Garantido, de Caprichoso”, argumentou o prefeito.
Mateus Assayag defende o acordo para que haja segurança para visitantes, investidores e para a própria cidade, que vive do festival.
“Isso é fundamental termos esse entendimento, todos fazemos parte das pessoas que querem o bem da cidade e o bem do festival”, disse o prefeito.
Entenda a discórdia
O eixo da discórdia é uma reforma profunda no sistema de julgamento que promete mudar as regras do jogo a pouco mais de dois meses do confronto.
A proposta da prefeitura pretende usar o banco de dados da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) para selecionar os jurados deste ano. Mas as novidades propostas abriram desconfianças. Enquanto a prefeitura alega que o sistema atual está “contaminado e vazado”, o Garantido enxerga um movimento para favorecer o rival e questiona a lisura do modelo carioca.
O argumento é de que existe uma “ligação íntima” entre o presidente da Liesa (egresso da Beija-Flor) e Rossy Amoedo, presidente do Caprichoso, que possui histórico profissional no Carnaval do Rio.
Por outro lado, a Prefeitura de Parintins defende que o “selo Liesa” funcionaria como uma trava moral. Para o município, um jurado do Rio de Janeiro não arriscaria sua carreira e sua vaga no Carnaval da Sapucaí para se envolver em polêmicas no Amazonas. “A probabilidade de ele fazer besteira em Parintins é menor, porque ele tem uma amarra profissional no Rio”, justifica a fonte da prefeitura.
Três grandes mudanças na mesa
A reforma não se limita à origem dos jurados. O projeto prevê uma reestruturação logística e técnica sem precedentes:
Explosão no número de julgadores: o corpo de jurados saltaria de 10 para 36 profissionais. Em vez de um grupo fixo para as três noites, seriam 12 jurados por noite, em um sistema de rodízio.
Novo bloco de botas: a pontuação deixaria de ser dividida em três blocos para ser distribuída em quatro blocos de julgamento, reordenando os itens oficiais.
Presidente de “casa”: A figura do presidente da Comissão Julgadora passaria a ser uma indicação direta da prefeitura, preferencialmente alguém de Parintins, sem poder de voto nas notas.
| Elemento | Modelo atual | Proposta de reforma |
| Total de jurados | 10 (9 votantes + 1 presidente) | 36 (12 por noite) |
| Origem | Edital de credenciamento Aberto | Banco de dados da Liesa (RJ) |
| Blocos de notas | 3 Blocos | 4 Blocos |
| Custo logístico | 10 passagens/hospedagens | 36 passagens/hospedagens |
Fator custo e o relógio contra o tempo
A logística para sustentar 36 jurados — incluindo passagens aéreas de última hora e hospedagem em uma Parintins já superlotada — é outro entrave. Estimativas internas sugerem que o custo apenas com remuneração e logística poderia triplicar, recaindo sobre o Governo do Estado e a Prefeitura.
Para o Garantido, o problema maior é o tempo. Mudar o regulamento faltando pouco mais de dois meses para o evento é visto como uma tentativa de “mudar a regra com a bola rolando”. O boi defende que a seleção deveria ocorrer por um critério objetivo de currículo, estilo “concurso público”, e não por indicação de uma liga externa.
Foto: BNC Amazonas




































