A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Amazonas nesta semana não garantiu a entrada do ex-deputado federal Marcelo Ramos, do PT, como candidato ao Senado Federal na chapa majoritária que deve compor o palanque de Lula no Estado.
O PT local oficializou a pré-candidatura de Ramos na disputa ao Senado, mas o movimento não foi alinhado com o senador Omar Aziz (PSD), candidato ao governo, e Eduardo Braga (MDB), favorito para reeleição no Senado.
Lula desembarcou em Manaus na terça-feira (26) e ficou na capital do Amazonas até a tarde de quarta (27) cumprindo agenda oficial com anúncios de investimentos, entregas do programa Minha Casa, Minha Vida e visitas a estaleiros da região.
Na noite da última terça-feira (26), Aziz e Braga ofereceram um jantar privado a Lula com mais de 350 convidados, entre prefeitos, ex-prefeitos, líderes empresariais e sindicais, deputados que apoiam o presidente, além de líderes religiosos.
Segundo os parlamentares, durante o jantar em Manaus, que contou com a presença de Ramos, eles não conversaram com Lula sobre uma possível entrada do ex-deputado na chapa.
“Não tratamos nada sobre política com o presidente. Foi uma confraternização. Estamos aqui para inaugurar obras. Em nenhum momento [Lula] puxou esse assunto”, afirmou Aziz ao g1.
Eduardo Braga também rechaçou que a aliança tenha sido discutida e disse que tem um compromisso com Lula e não com o PT.
“Candidatura majoritária não se impõe, se constrói. Estou trabalhando, pedindo votos aos eleitores do meu estado, com confiança”, disse.
“O MDB é um partido que tem dimensão, tem capilaridade, estou liderando pesquisas no meu estado. Eu apoio presidente Lula desde 98. Portanto, a minha questão com Lula não passa pelo PT”, acrescentou.
Marcelo Ramos confirmou à reportagem que Lula não fez nenhuma articulação política para formalizar uma chapa com a candidatura do PT ao Senado.
“Não teve nenhuma conversa com o presidente Lula em nenhum dos eventos, privados ou públicos. Ele não fez gestos eleitorais a ninguém”, afirmou Ramos.
Apesar do impasse, Marcelo Ramos diz que o assunto está resolvido e será candidato ao Senado.
“Para nós do PT, está muito resolvido. O senador Omar é nosso candidato a governador, o MDB decidiu ter um candidato a senador e o PT decidiu ter um candidato a senador. Está resolvido, não tem ninguém a mais nessa chapa. Nós queremos estar juntos do senador Eduardo Braga, entendemos a importância dele no Senado para o Amazonas. Agora, ele querer estar junto com a gente já não é uma questão que nos pertença”, pontuou Ramos.
Entrada forçada
A avaliação de aliados de Aziz e Braga é de que o PT está tentando “forçar” a entrada de um quadro na chapa, sem ter trabalhado durante os últimos quatro anos na construção do grupo de apoio ao palanque de Lula no estado.
Além disso, esses quadros destacam que a pouca relevância do PT no Amazonas contrasta com o crescimento do bolsonarismo no estado. Por isso, apesar de ter duas vagas em disputa para o Senado, a ideia do grupo é concentrar os esforços na reeleição de Braga.
Como exemplo do cenário, um ex-deputado presente no evento, destacou que, dos mais de 300 convidados no jantar em homenagem a Lula, apenas dez eram do PT.
Além disso, aliados apontam que o partido de Lula ficará com a vaga do Senado caso Aziz vença a eleição para o governo do Estado, já que seu suplente é Cheila Moreira, do PT.
O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, reconhece que o cenário no Amazonas é complexo para o partido.
“O problema é que ali tem um certo ruído, tem os outros que não querem o PT, que acham que tem que ser mais amplo, mas ele [Marcelo] está crescendo nas pesquisas. A nossa posição é essa chapa: Omar Aziz, Eduardo Braga e Marcelo Ramos”, afirmou Tatto.
FONTE: Por G1 AM





































