Início Brasil Mesmo com melhora da pandemia, transplantes seguem em queda no Brasil

Mesmo com melhora da pandemia, transplantes seguem em queda no Brasil

Questões emocionais influenciam na decisão de doar órgãos, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

0
Questões emocionais provocadas pela pandemia podem influenciar decisão pela doação de órgãos Breno Esaki/Agência Saúde DF

O número de transplantes de órgãos no Brasil caiu 6,9% nos primeiros três meses de 2022, em comparação com a média trimestral do ano anterior. Trata-se do pior resultado para o setor desde o primeiro semestre de 2021. O resultado faz parte do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) nesta segunda-feira (6).

Na prática, no primeiro trimestre deste ano, 596 pessoas foram transplantadas no Brasil. O número só não é menor do que as 577 doações registradas nos três primeiros meses de 2021, momento que o país tinha uma onda de contaminações por Covid-19 e a taxa de vacinação contra o vírus era menor do que 20%, segundo dados do Ministério da Saúde. No primeiro trimestre de 2019, ano anterior à crise sanitária, o número de transplantes se aproximou de 760.

De acordo com os membros da ABTO, o resultado é uma “decepção”, em virtude da melhora no cenário epidemiológico brasileiro. O relatório do primeiro trimestre deste ano aponta uma diminuição na taxa de doadores de todos os tipos de órgãos, frente à média do ano passado.

O índice de doadores teve maior queda nos seguintes órgãos no período: transplantes de rim (13,8%), fígado (11,5%), coração (12,5%), pulmão (25%), pâncreas (37,5%), córneas (7,1%) e células hematopoiéticas (12,2%).

“Neste primeiro trimestre de 2022, em que quase toda a população adulta está vacinada e as novas variantes da Covid-19, embora mais infectantes, são muito menos agressivas e, portanto, o país está retornando à “normalidade”, as taxas de doação e transplante, para nossa surpresa e decepção, continuam caindo”, destaca Valter Duro Garcia, membro da associação de órgãos.

Como reflexo da baixa taxa de doação, a fila de espera por transplantes é a maior em pelo menos 12 meses. Atualmente, segundo o relatório, 49,3 mil pessoas estão na lista por um órgão. No mesmo período de 2021, eram 44,3 mil pacientes.

A diretora da ABTO e chefe-geral de transplante de fígado da Unicamp, Ilka Boin, disse à CNN que os números podem piorar ainda mais, caso as contaminações por Covid-19 voltem a subir nos próximos meses. Para ela, a queda na taxa de doação nos primeiros meses deste ano está mais atrelada a questões emocionais provocadas pela pandemia e à disseminação da Covid-19.

“Se a Covid-19 voltar a piorar muito, vamos sim ver uma queda expressiva novamente no Brasil, por isso precisamos incentivar todo mundo a se vacinar. Mas, eu acredito que o baixo desempenho do início do ano está mais atrelado com a questão emocional e não ao coronavírus. O emocional de todos ficou mexido depois da pandemia, têm pessoas e famílias que não estão querendo doar, um número menor do que a média que estávamos acostumados”, explicou Ilka.

FONTE: Por CNN

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui