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Vazamento de gás tóxico em Manaus: 67% dos atendidos tiveram contato com estireno no trabalho, diz prefeitura

Tempo médio de exposição ao gás foi de três horas, ainda de acordo com levantamento divulgado pela Prefeitura de Manaus. Os adultos entre 20 e 59 anos foram os mais afetados.

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A maioria das 648 pessoas atendidas após a exposição ao gás estireno, substância inflamável e tóxica, em Manaus teve contato com o produto no ambiente de trabalho e ficou exposta ao gás por cerca de três horas, segundo informe divulgado na segunda-feira (20) pela Prefeitura de Manaus. O levantamento reúne dados de atendimentos realizados nas redes pública e privada após o vazamento registrado na empresa Innova, no Distrito Industrial, na última quarta-feira (15).

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), 67% dos pacientes informaram que estavam no trabalho quando tiveram contato com o estireno. Outros 19% disseram que estavam em casa quando sentiram o odor do produto químico e passaram mal. Já 10% relataram estar em ambientes externos.

O tempo médio de exposição ao gás foi de três horas. Os adultos entre 20 e 59 anos foram os mais afetados, mas também houve atendimentos de crianças e adolescentes, incluindo menores de 1 ano.

Segundo a Semsa, 78% dos pacientes apresentaram sintomas respiratórios e 20% tiveram alterações na pele. Até as 15h da segunda-feira, 648 pessoas haviam sido atendidas e apenas um paciente permanecia internado.

O levantamento também registra dois óbitos que seguem sob investigação para verificar possível relação com a exposição ao estireno. Um dos casos é de um homem de 67 anos que morreu na quinta-feira (16), após procurar atendimento com relato de mal-estar.

O outro envolve um homem de 60 anos morreu após dar entrada em uma unidade particular com problemas respiratórios no sábado (18).

Buscas por atendimentos

A maior procura por atendimento ocorreu nos dois dias seguintes ao vazamento, ainda de acordo com a prefeitura. Na quinta-feira (16), foram registrados 364 atendimentos. Na sexta-feira (17), outros 163 pacientes procuraram os serviços de saúde. Nos três dias seguintes, a demanda caiu para 30 atendimentos.

Desde o início da ocorrência, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) realizou a remoção de 13 pessoas que precisaram de atendimento emergencial após a exposição ao gás.

A Semsa informou que continua monitorando o cenário epidemiológico e acompanhando os pacientes expostos ao estireno, mesmo após o controle do vazamento.

Segundo a pasta, o acompanhamento é prioritário para pessoas com sintomas, trabalhadores diretamente envolvidos, gestantes, crianças, idosos e pacientes com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes.

Vazamento é contido e perícia apura causas do incidente

No domingo (19), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que medições realizadas no local confirmaram que não havia mais emissão de gás estireno. A partir da avaliação, as atividades foram liberadas.

“Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido”, afirmou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz.

Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. Segundo o comandante, a retirada do produto armazenado e a desativação da estrutura podem levar meses.

Após as avaliações técnicas, um comitê formado por órgãos estaduais, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), autorizou a retomada das atividades nas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM), escolas estaduais e serviços públicos da região.

Com isso, as aulas nas escolas estaduais afetadas foram retomadas, assim como o funcionamento do Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 e das fábricas que haviam suspendido as atividades por precaução.

Na segunda-feira (20), peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) realizaram uma perícia na fábrica para ajudar a identificar as causas do incidente.

Peritos do Amazonas chegam à Innova para realização de perícia após vazamento de gás em Manaus — Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Peritos do Amazonas chegam à Innova para realização de perícia após vazamento de gás em Manaus — Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Empresa acumula R$ 22,4 milhões em multas

Innova também foi multada em mais de R$ 22,4 milhões por órgãos municipais e estaduais. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma autuação de R$ 12,5 milhões por infração ambiental relacionada à poluição atmosférica.

Já a Prefeitura de Manaus aplicou duas multas que somam R$ 9,9 milhões por poluição do ar, do solo e de corpo hídrico.

O incidente

O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.

O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea.

Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.

INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. — Foto: g1
INFOGRÁFICO – Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus. — Foto: g1

FONTE: Por G1 AM

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