Início Política STF dá 48h para Santa Catarina explicar lei que proíbe cotas raciais

STF dá 48h para Santa Catarina explicar lei que proíbe cotas raciais

Legislação foi sancionada no dia 21 de janeiro; governo estadual justifica que busca garantir uma concorrência “mais justa” no acesso ao ensino superior

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Gilmar Mendes, ministro do STF • 05/12/2024 - Antonio Augusto/STF

O ministro Gilmar Mendes, STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o governo de Santa Catarina explique, em 48 horas, a lei que veta cotas para negros e indígenas em concursos para universidades estaduais.

Trata-se da tramitação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.925, apresentada pelo PSOL, pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e pela entidade Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).

Os autores pedem a suspensão imediata da Lei estadual nº 19.722/2026, que veda critérios de reserva de vagas em universidades estaduais e instituições financiadas pelo poder público do estado.

Antes de analisar o pedido de medida cautelar, Gilmar Mendes determinou, em despacho publicado na segunda-feira (26), que o PSOL regularize sua representação processual no prazo de 48 horas.

Segundo o ofício, a procuração anexada à ação foi assinada apenas pela UNE, o que exige correção formal para o prosseguimento do processo.

O decano da Suprema Corte solicitou ainda informações urgentes à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e ao governador do estado, Jorginho Mello (PL), também no prazo de 48 horas.

A medida leva em conta a existência de processos seletivos em andamento que podem ser impactados pela nova legislação, como vestibulares e concursos universitários.

Gilmar Mendes também intimou a AGU (Advocacia-Geral da União) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) para que se manifestem sobre o pedido de liminar.

O governador de Santa Catarina sancionou, na última quinta-feira (21) o projeto de lei que proíbe a adoção de cotas raciais nas universidades estaduais. Segundo o governo, a medida busca garantir uma concorrência “mais justa” no acesso ao ensino superior.

Com a nova legislação, permanecem autorizadas apenas políticas de reserva de vagas baseadas exclusivamente em critérios socioeconômicos, além daquelas destinadas a pessoas com deficiência (PCDs) e a estudantes egressos da rede pública estadual de ensino médio.

Ações contra a lei

Na última segunda-feira (26), PT (Partido dos Trabalhadores) protocolou uma ADI contra a lei. A sigla articulada em conjunto com a Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 250 organizações, pede que a Corte declare a norma inconstitucional e suspenda imediatamente seus efeitos.

O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) também protocolou uma ação no STF para derrubar a lei de Santa Catarina.

Na ação, a OAB pede a suspensão imediata da eficácia da lei e defende que ela seja declarada inconstitucional.

Eles argumentam que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina interferiu na competência exclusiva da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação, violando a separação de Poderes e o pacto federativo. Dizem ainda que a lei configura uma violação ao dever estatal de enfrentar desigualdades históricas como o racismo.

FONTE: Por CNN

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